Trilhando um caminho único pelas ruas das pequenas cidades
ela deixa sua silhueta por onde passa
virando à esquerda ou à direita, ou seguindo reto, indo para longe.
Sento-me à mesma mesa, no mesmo bar
o garçom me serve a mesma bebida
e eu não consigo manter minhas mãos longe de confissões de papel.
Há muitas milhas entre nós, assim como dias para eu vê-la novamente.
Somente a paciência – ou até mesmo um Visa – poderia encurtar essa distância.
E os dias? Insistem em não passar.
Eu sinto sua falta como um cego sente a falta do sol
que pode senti-lo em sua pele, mas não pode alcançá-lo.
A bebida está em liquidação para, quem sabe, uma conversa com o meu fígado.
Estes cigarros estão queimando buracos em meus pulmões
abrindo o resto que resta de mim para que eu possa extravasar as razões pelas quais eu sinto falta das nuances de seu sorriso.
Três horas por noite quando a recepção é boa.
O tão planejado plano nunca parece ser suficiente.
Quero sua voz para engolir-me trinta horas por dia.
Meus ouvidos estão famintos sem você para alimentá-los.
Eles estão querendo o sushi da mais alta prateleira de sua loja
bem mais que o conveniente fast food dos extras de um filme.
Quem quer discutir o clima e aquele bla bla bla de sempre para passar o tempo?
Você é um concerto dos Beatles em um mar de bandas de garagem.
Deixe-me surfar em sua multidão
enquanto o resto do mundo compra camisetas pretas
e CDs queimados em iMacs.
Você me faz querer falar profundamente
e escrever como estadistas que fazem minuciosamente suas anotações
e preparam seus discursos finais para seus funerais.
Carregue minha prosa em suas mãos
para que eu saiba que não estou desperdiçando meu tempo.
Abençoe meus comuns versos
transforme meu sangue-tinta azul com sua sinceridade
e nós vamos construir quilômetros de palavras.
Meus vizinhos no bar discutem relatórios policiais.
Não me deixe nunca ser assim maçante.
Encha meus pulmões com palavras honestas
e fiéis histórias sobre eu e você visitando países
cujos nomes as pessoas só conhecem das aulas de geografia.
Nos meus últimos dias
enrugada e terminantemente esquecida
vou me lembrar de uma mulher que dançava como um truque mágico
que faria David Copperfield ter inveja.
Pego minha carteira e deslizo para fora um cartão para pagar minhas verdades.
O garçom fica com 20 reais, uma nota fiscal de 12, e eu fico com 6 páginas de poesia.
Venha até mim e eu serei sua por milhas e milhares de minutos
e todas as manhãs lhe vou perguntar: como o seu sol nasce?
O meu nascerá sempre devagar e brilhante.
Diga-me o que te persegue, e farei o mesmo.
O garçom derrama meu último drinque
e eu tento me lembrar de coisas para sonhar
mas elas acabam fugindo e me deixam novamente esperando por você.
Giovanna Cóppola
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
No Bar
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terça-feira, 28 de julho de 2009
Quisera Eu
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terça-feira, 14 de julho de 2009
Afora o Teu Amor
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quarta-feira, 8 de julho de 2009
Espetáculo
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quarta-feira, 22 de abril de 2009
Enquanto Penso Nela
Enquanto Bukowski me diz
que o amor é um cão dos diabos,
penso nela.
Ele tem razão quanto ao diabo,
ainda não sei bem sobre o cão.
Viro as páginas e penso nela.
Olho ao redor,
ela não está
e penso nela.
Estranho pensamento que não sai
dela.
As pessoas passam pela rua
enquanto as observo pela varanda
e penso nela.
Escrevo essas mal acabadas linhas
enquanto penso nela.
Acabada sou eu
sem ela.
Vou ao banheiro,
escovo os dentes e deito sozinha na cama
vazia
sem ela
e sigo pensando nela.
Adormeço.
Não tenho certeza, mas acho que sonharei com ela.
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
O Meu Amor
Há amores que achegam-se a rotina, viram coisa vazia, falta de desejo, quase nada, beijo barato, mão largada. É qualquer coisa jogada no canto da sala, que se manuseia vez ou outra para que não junte pó.
O meu amor é sem medida, sem precedentes, razões ou significados profundos, somente um arfar misturado ao nome dela que me submete a uma viagem sem volta.
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Nas Entrelinhas
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terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Sonhando
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segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Bolero
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quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Agora
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domingo, 19 de outubro de 2008
Recordo
Estou fechada no meu quarto
Lá fora está a chover
Guardo-te no meu interno retrato
Ouço meu coração bater
Estou fechada no horizonte
Sobre mim está a luz da terra
Dentro do ar, a estrela e a fonte
Diante de nós, a derradeira esfera
Um ponto de nada
Um espelho, um tesouro
Recordo-te em mim tão bela
Toda a magia desse olho
Toda tu, linda donzela
Um ponto brilhante queima-me o sonho
Porque recordo que te conheço
Recordo o abandono
Recordo que não te esqueço
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terça-feira, 7 de outubro de 2008
A Dança
Ela se virou e me reconheceu. Com um sorriso nos lábios, pegou na minha mão enquanto eu a guiava. Nós éramos as únicas naquele recinto - minutos atrás, lotado -, e parecíamos ser também as únicas em toda a cidade.
Uma suave melodia começou a tocar e as luzes foram esmaecendo. Eu me virei para encará-la e puxei-a para perto de mim. Ela posicionou seus braços em volta do meu pescoço enquanto eu fazia o mesmo em sua cintura. Começamos a dançar e fomos girando, girando, explorando cada centímetro do chão com nossos pés incontestavelmente entregues àquela doce cadência tão bem ritmada. Novamente ela sorriu, enquanto ouvíamos aquela música tocando paralelamente às batidas dos nossos corações, como se estivéssemos dançando em uma nuvem particular.
A canção lentamente foi chegando ao fim.
Minha mão suavemente ergueu seu rosto, enquanto eu olhava profundamente em seus olhos. Ela sorriu, desta vez como quem pede algo em troca. Eu sorri de volta e beijei seus doces lábios. Lentamente me afastei, deixando-a sem ar.
Parecia um sonho.
Ela sussurrou em meu ouvido: "É um sonho."
Eu sussurrei de volta: "Não tema. Que essa dança permaneça intacta."
Nunca acordei.
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segunda-feira, 6 de outubro de 2008
A Ingratidão do Poeta
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quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Prece
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sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Essência
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terça-feira, 9 de setembro de 2008
Tentação
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quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Perdoa
Perdoa minha covardia e minha fraqueza. Perdoa, também, minha franqueza. Perdoa meu medo de me entregar, perdoa minha insegurança. Perdoa se minha voz é trêmula e quase nula ao teu lado, perdoa se teu sorriso ofusca minhas atitudes. Perdoa cada milésimo de segundo que te fiz sofrer. Perdoa as palavras que guardei para mim, com a ilusão de que você não as queria mais. Perdoa se sinto muito e falo pouco. Perdoa, meu amor. Perdoa se te amo calada.
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terça-feira, 2 de setembro de 2008
Saudade
Amor moribundo, profundo.
Choro profundo, imundo.
Saudade imunda, inunda.
Desejo inunda, aprofunda.
Confundo.
Teu nome proclamo, chamo.
Enquanto chamo, reclamo.
Saudade reclama, profana.
Busca profana, afana.
Amo.
Sentimento covarde, me arde.
Pavor me arde - retarde.
Ainda não é tarde.
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terça-feira, 26 de agosto de 2008
O Homem
Um homem sem nome e sem estudo, um homem sem moral e sem ideal, um homem sem sonhos, sem amparos, cercado de desgostos e de futuro raso e raro. Um homem sem RG, um homem cujo papel não provém da TV, um homem que não é mocinho e nem vilão, um homem sem escolha e sem controle da situação, um homem simplesmente inserido na sociedade que reprime e esmaga suas vontades. Um homem descamisado, rejeitado, lixo personificado. Um homem desengravatado, esse mesmo, aí do seu lado. Você, sentado no seu carro com banco de couro, porta-copos, porta-revistas e porta-futilidades, ganhando seu dinheiro, por Deus abençoado. O homem não quer dinheiro, o homem não quer carro importado. O homem só quer ser homem. O homem só quer ser humanamente tratado.
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domingo, 24 de agosto de 2008
Hei De
Cedo ou tarde, meus olhos aprenderão a não mais buscar os teus. Sonhos hão de ser apenas sonhos. Hei de esquecer o que é chorar por você. Hei de não mais embriagar-me com o teu cheiro. Tua voz, doce fortaleza, transcendental, há de não mais ser música boa para os meus ouvidos. Hei de oferecer resistência a cada gesto contraditoriamente fortuito e calculado. Com esmero, hei de sobreviver.
Postado por Giovanna Cóppola às 21:23 5 comentários
Perfil
- Giovanna Cóppola
- São Paulo, SP, Brazil
- Alma arrancada do prazer do mundo, alma viúva das paixões da vida. Assim disse Augusto dos Anjos.